Depressão infantil: Como identificar e o que fazer a respeito?

A depressão infantil é mais complicada de identificar do que nos adultos. Conheça as causas, sintomas e tratamentos.

A depressão ainda é um assunto delicado para a sociedade devido aos sintomas que engloba, bem como a falta de conhecimento para compreender e lidar com a doença. Se para os adultos já é difícil, no caso das crianças o diagnóstico necessita de uma análise ainda mais cautelosa.

Pelo fato de as crianças estarem em fase de aprendizado sobre como lidar e nomear seus sentimentos, por muitos anos os sintomas da depressão infantil foram confundidos com transtornos comportamentais ou ansiedade de separação.

Somente há cerca de 20 anos que houve o reconhecimento da depressão em adolescentes, devido a diferença na sua forma de expressão.

Sintomas da depressão infantil

Por natureza as crianças são ativas e curiosas. Portanto, os pais ou responsáveis precisam prestar a atenção em uma mudança nesse comportamento, quando a criança começa a ficar mais quieta e desinteressada pelas coisas.

Outro fator importante que merece atenção é o sono. A criança em um quadro depressivo tende a ter um sono interrompido, pesadelos, dificuldade para dormir ou medo de dormir sozinha. Ela demonstra isso através de um choro assustado, que é diferente do choro manhoso.

A queixa frequente da criança sobre dores físicas, como dor de barriga ou no corpo, que não apresentam outros sinais visíveis, também pode ser uma forma que ela encontra de expressar os sentimentos que não consegue denominar, como angústia, tristeza e ansiedade.

O medo da separação é mais um sintoma, quando ocorre de forma insistente. A criança não quer, de jeito nenhum, ficar longe do seu responsável, demonstrando medo ou pavor de que isso aconteça, seja para ir à escola ou a um passeio.

Podem ainda haver casos de regressão comportamental, quando a criança volta a se comunicar com a linguagem que usava quando era mais nova ou volta querer brincar com brinquedos que já tinha perdido o interesse.

Conforme a idade da criança, pode ainda haver a instabilidade emocional, com momentos de agressividade e isolamento, falta de concentração na escola, falta de autoconfiança, perda de interesse nas atividades que antes lhe davam prazer e até mesmo automutilação.

Como identificar a depressão infantil?

Além da atenção aos sintomas acima mencionados, é preciso que os pais, responsáveis ou adultos que convivem com a criança identifiquem a existência de situações que possam ter desencadeado um quadro depressivo. Neste sentido, muitas vezes se assemelham aos fatores dos adultos, como:

* Perda de um ente querido;

* Mudança traumática de escola;

* Bullying;

* Nascimento de um irmão;

* Instabilidade emocional no ambiente familiar;

* Depressão dos pais;

* Maus tratos físicos ou emocionais;

* Abuso sexual;

* Fatores biológicos, como baixa produção de norepinefrina e serotonina ou mesmo predisposição genética.

Como tratar depressão infantil?

Observados todos os sintomas e fatores de risco mencionados, a busca por um diagnóstico e o início do tratamento deve ser imediata. Isso porque a criança ou mesmo o adolescente estão vivendo uma fase fundamental para a formação da sua identidade.

Portanto, ao perceber suas diferenças comportamentais e de sentimentos em comparação aos outros, tendem a acreditar que nunca vão conseguir sentir a alegria e os estímulos positivos que todos sentem.

Quando mais velhas, a tendência ao uso de drogas também aumenta, pois as substâncias psicoativas servem como alívio momentâneo para o sofrimento.

Então, o tratamento da depressão infantil vai depender da idade. Normalmente é utilizada a psicoterapia e é feita uma orientação com os pais ou responsáveis para conscientizar sobre a doença e como a criança precisa ser tratada para melhorar.

Outros métodos também podem ser aplicados, como a abordagem cognitivo-comportamental no caso de crianças mais velhas, pois envolve o desenvolvimento do autoconhecimento; e abordagem EMDR para reprocessamento de memórias traumáticas.

Em determinados casos, especialmente se estão indo ou já estão na adolescência, e conforme os fatores genéticos, pode ser necessária uma intervenção com medicamentos.

Ainda quando essa ação é necessária, as crianças e adolescentes tendem a responder ao tratamento muito mais rápido do que os adultos, podendo abandonar os remédios em pouco tempo.

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